Eu, escritor Stevan Lekitsch, Escravo da Cultura, e meus assuntos aleatórios...
sexta-feira, 31 de julho de 2026
ODISSÉIA: A Ligação de Homero com o Nordeste do Brasil
domingo, 31 de maio de 2026
TELA BRASIL: O Streaming do Audiovisual Brasileiro GRATUITO!!!
A plataforma Tela Brasil, o serviço de streaming público e gratuito lançado pelo Governo Federal (desenvolvido pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas), estreou com um catálogo inicial de 555 obras audiovisuais brasileiras.
Como a lista completa é imensa e rotativa, englobando 139 longas-metragens, 267 curtas, 85 médias-metragens e 64 séries, o catálogo foi dividido por mostras temáticas. Abaixo estão os principais destaques, clássicos e produções premiadas que lideram o catálogo:
🎥 Filmes Históricos e Indicados ao Oscar
Uma das principais mostras da plataforma reúne dezenove produções que já representaram o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar:
O Que É Isso, Companheiro? (1997) – Dirigido por Bruno Barreto, baseado no sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick.
O Menino e o Mundo (2013) – Aclamada animação de Alê Abreu que concorreu ao Oscar de Melhor Animação.
Lixo Extraordinário (2010) – Documentário indicado ao Oscar sobre o trabalho do artista plástico Vik Muniz no Jardim Gramacho.
O Sal da Terra (2014) – Documentário sobre a trajetória do fotógrafo Sebastião Salgado.
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) – Obra-prima do Cinema Novo dirigida por Glauber Rocha.
Pra Quem Fica, Tchau (1971) – Comédia dramática dirigida por Reginaldo Faria.
O Cangaceiro (1953) – Clássico de Lima Barreto premiado no Festival de Cannes.
Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) – Adaptação icônica da obra de Jorge Amado dirigida por Bruno Barreto.
🎬 Cinema Contemporâneo e Grandes Sucessos
Produções marcantes das últimas décadas que se destacam pela força narrativa e apelo de público ou crítica:
Carandiru (2003) – Sucesso de Hector Babenco adaptado da obra de Drauzio Varella.
A Hora da Estrela (1985) – A premiada adaptação de Suzana Amaral para o romance de Clarice Lispector.
Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) – Premiado drama de estrada no sertão nordestino dirigido por Marcelo Gomes.
As Duas Irenes (2017) – Sensível drama do goiano Fábio Meira sobre segredos de família no interior do Brasil.
Divinas Divas (2016) – Documentário dirigido por Leandra Leal sobre a primeira geração de artistas travestis do Brasil nos anos 1960.
A Noite do Espantalho (1974) – Clássico musical nordestino dirigido por Sérgio Ricardo, com trilha e atuações de Alceu Valença e Geraldo Azevedo.
🎞️ Produções Independentes e Curtas-Metragens
O catálogo traz títulos elogiados no circuito independente e em festivais de cinema nacionais e internacionais:
My Name is Now, Elza Soares – Documentário focado na trajetória e na força da cantora Elza Soares.
Inabitável (2020) – Curta-metragem premiado em Gramado que aborda a busca de uma mãe por sua filha trans desaparecida.
A Mulher de Luz Própria – Documentário sobre a trajetória pioneira da cineasta Helena Ignez.
O Mergulho
40 Quadra
Como acessar: Todo o catálogo está disponível de forma gratuita. Para assistir, basta acessar o site oficial da plataforma utilizando as credenciais de sua conta unificada Gov.br.
Site: https://telabrasil.cultura.gov.br/
sábado, 16 de maio de 2026
VIDEOTEXTO: O Avô da Internet no Brasil!!!
Vou voltar no tempo para relembrar (ou descobrir) o Videotexto, uma tecnologia fascinante que transformou a cidade de São Paulo em um cenário quase de ficção científica nos anos 80, muito antes de a internet comercial sonhar em chegar ao Brasil. E eu fiz parte disso.
Imagine ligar a sua televisão, conectar um aparelho na linha telefônica e, de repente, ter acesso a notícias, extrato bancário, previsão do tempo e até um chat para conversar com outras pessoas. Parece a internet atual, mas estamos falando do ano de 1982.
O que era o Videotexto?
Lançado oficialmente apenas na cidade de São Paulo (SP) pela Telesp (a antiga estatal de telecomunicações do estado, que se transformou em Telefônica e depois na Vivo), o Videotexto era um sistema interativo que unia a televisão, a linha telefônica, um modem, um teclado e uma central de computadores.
Em uma época em que computadores pessoais eram um luxo raríssimo, o Videotexto transformava a TV em um terminal de dados. Visualmente, ele lembrava o Teletexto europeu, com telas de fundo preto, fontes pixeladas e gráficos em blocos coloridos (arte em ASCII/Teletexto), como na imagem acima.
Como funcionava na prática?
Para usar o sistema, o assinante precisava de um terminal de videotexto habilitado (alugado pela Telesp) que continha um modem e um teclado, e de um adaptador conectado à TV. Eu usava uma daquelas TVs com alça, pequenas (geralmente brancas) pra poder caber tudo numa escrivaninha.
O usuário discava para a central da Telesp que tinha um número específico para o Videotexto: o 148. O seu aparelho telefônico tinha que estar conectado ao modem e acoplado à TV e ao teclado. A linha conectava diretamente à central de computadores da Telesp. A partir dali, a tela preta com o menu principal do sistema (na imagem) era carregada, dando início à navegação interativa.
O modem fazia aquele clássico ruído de conexão e você tinha que apertar o botão do modem quando ouvisse o som para que tudo se conectasse (linha, modem, teclado e tv).
O sistema era limitado a APENAS 50 conexões por vez. Ou seja, em horários de pico, geralmente de madrugada por causa do preço, você passava minutos tentando "achar" uma vaga no sistema. Quando estava cheio, o número dava sinal de "ocupado".
Uma interface baseada em menus numéricos aparecia na tela (ex: "Digite 1 para Notícias, 2 para Bancos").
O Pioneirismo de São Paulo
São Paulo foi o grande laboratório e o principal mercado dessa tecnologia no Brasil. Empresas e bancos perceberam o potencial da novidade imediatamente.
O primeiro "e-mail": cada usuário, ao alugar o sistema, criava um "nick", que servia para acessar tudo, incluindo um sistema de mensagens, onde um usuário podia mandar e receber mensagens deum outro usuário, com textos grandes, num protótipo do que viria a ser o e-mail anos depois. Ao entrar no sistema, ele te avisava se havia mensagem ou não na sua "caixa de correio".
O primeiro Home Banking: Bancos como o Bradesco (com o Bradesco Instantâneo) e o Itaú criaram sistemas onde o cliente podia consultar o saldo e tirar extratos sem sair de casa. Para a época, isso era pura magia.
Informação em Tempo Real: Jornais como a Folha de S.Paulo e o Estadão mantinham "jornais eletrônicos" atualizados constantemente no sistema.
O "Tinder" dos anos 80: O sistema contava com salas de bate-papo e correio eletrônico, que viria ser o nosso e-mail, usado até hoje. O serviço Videopapo virou uma febre entre os jovens paulistanos de classe média-alta, gerando amizades e namoros virtuais (e reais, fui testemunha) décadas antes das redes sociais.
Os Encontros do Videotexto: bares, salões de festas e até casas particulares recebiam os Encontros do Videotexto, onde os convidados (que não sabiam como eram pois não havia foto digital na época), se encontravam, se conheciam e se falavam pessoalmente. Cada convidado recebia na entrada uma etiqueta colada na roupa com o seu "nick" (apelido em inglês), o nome que usava pra entrar no sistema. O "Nick" uma vez registrado, não podia ser alterado facilmente. Vários "nicks" se tornaram icônicos, alguns que permanecem até hoje.
O Declínio e o Legado
Apesar de revolucionário, o Videotexto era um serviço caro.
A assinatura, o aluguel do terminal e, principalmente, o custo dos pulsos telefônicos (o telefone ficava ocupado enquanto você navegava, cobrando um valor por cada 3 minutos de uso) limitaram o sistema.
Muita gente (como eu) ficava esperando dar meia-noite para usar, pois, após a meia-noite, era cobrado apenas um pulso, até as 6 da manhã. Quantas madrugadas viradas no Videotexto...
Com a chegada dos computadores pessoais mais potentes nos anos 90 e, finalmente, a abertura da Internet comercial em 1995, o Videotexto perdeu o sentido. Ele foi sendo desativado gradativamente até sair de cena em definitivo no início dos anos 2000.
Curiosidade: O Videotexto brasileiro foi fortemente inspirado no sistema francês Minitel, que fez um sucesso estrondoso por lá e resistiu bravamente até 2012.
O Videotexto paulistano dos anos 80 prova que o desejo de hiperconectividade e interatividade não nasceu com os smartphones. Nós já queríamos o mundo na tela da nossa TV há mais de 40 years.
O avô da internet seria o Videotexto. Depois veio a BBS (Bulletin Board System) nos anos 90 e, por fim, a internet, no final dos anos 90 e início dos anos 2000, como a conhecemos hoje.
Texto parcialmente gerado pela IA Gemini, e imagem colorida pelo mesmo sistema.
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